chamava-se zorana filipovic, e vinha de um daqueles países de nome impronunciável. que só se sabe que existem por causa de alguns aventureiros, e do national geographic. ela dizia-me que era a única violinista do seu país. não acreditei. mas lá que era de todas a mais adorável... ah zorana... se me tivesses deixado entrar...
zorana não era muito bonita, mas não fazia mal. tinha qualquer coisa que nem camões poderia descrever. os gestos, o olhar, a respiração, e sobretudo o arquear de sobrancelhas quando alguém dizia uma baforada. uma vez disse-lhe que para mim tinha havido um concílio de deuses só para fazer os seus cabelos, mas não me deu importância. apenas arqueou as sobrancelhas.
na última vez em que vi zorana filipovic, disse-lhe que seria a última vez em que a veria. mal eu sabia que continuaria a vê-la por dentro de mim, sempre que pensasse numa coisa bonita. não poderia ter sido diferente, ou não seria zorana filipovic.
lamentavelmente nunca chegou a saber o meu nome.
