Jean-Honore Fragonardpor acaso havia sempre um baloiço. podia ser em qualquer lugar, na selva, no topo de uma montanha austríaca, nos jardins suspensos do louvre... mas por acaso havia sempre um baloiço. sempre as mesmas sensações. a liberdade do sobe e desce. o vento que lhe assoprava nos pés, na cara, nas coxas. os gracejos insinuantes dos belos cortesãos que a empurravam, entre um sorriso e um madrigal. por acaso havia sempre um baloiço. era normal sonhar assim.
tão normal que sabia que sonhava. e que em breve o besouro a acordaria para o mundo real. onde a esperava um homem para quem se abria à noite, mas que não poderia nunca ser um dos cortesãos. onde a esperava um emprego de merda. onde a esperava o tédio aconchegado de quem já nem se importa de ser pouco feliz. mas por acaso havia sempre um baloiço. sempre. um baloiço.