segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Jean e Gabrielle

Auguste Renoir

nunca tive grande paciência para bebés, e continuo a não ter. continuo a abominar as tuas birras quando não dormes a sesta, as fraldas que cheiram mal de cinco em cinco horas, e aquelas vezes em que me gritas indignado quando nos zangamos. isso até se compreende, pois ainda não sabes palavrões.

e no entanto, não consigo exprimir a ninguém o quanto tudo isso é bom.

quando tu nasceste, não sei se te lembras, todos te acharam parecido com quase toda a família. a casa estava cheia de gente que nunca mais ia embora. uns diziam que és a cara do teu pai, outros que te parecias com a tua mãe, e houve alguém que proclamou que davas ares de uma tia que já morreu, não me lembro qual.

não disse a ninguém, mas para mim tu és parecido comigo.