terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Celestina.

Pablo Picasso

de celestina a maioria conhecia apenas o nome. em todo o bairro se comentava as suas ligações com ritos satânicos e práticas bruxuleantes. as crianças temiam-na numa curiosidade indizível. os adultos disfarçavam como podiam o seu incómodo. e os velhos viam nela uma espécie de ser inumano: alguém que não está morto, mas que não está propriamente vivo. celestina era o avatar do imaginário negro de cada um.

não só pelo olho de vidro - que era horroroso - nem pelo semblante mefistofélico. dizia-se que a todos aqueles que por ela se afeiçoassem, alguma coisa terrível aconteceria... uma daquelas maldições mortais que raramente dá jeito mencionar. e porque raras vezes os mitos urbanos são totalmente falsos, todos a rejeitavam, fingindo ignorar a sua existência pelas ruas. desviando o passo, o olhar, a consternação.

celestina... és bem digna de dó... começo a simpatizar contigo, e toda essa solidão. ah, foda-se.