quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Um Beijo Roubado

Jean-Honore Fragonard

chamavam-lhe o fantasma do palácio. e era do conhecimento das passagens secretas que vinha o seu poder, a sua invisibilidade.

o fantasma do palácio ninguém o conhecia, mas ele observava toda a gente. era como um Grande Irmão, mas muito poucos estavam cientes da sua omnipresença. sabia tudo o que acontecia no palácio, das masmorras até aos aposentos reais. sabia de cor as rotinas prostradas dos prisioneiros. podia antecipar cada movimento do rei, e conhecia o corpo da rainha melhor do que as criadas e as damas de companhia. cujas curvas também não lhe escapavam. só ele sabia quantas concubinas tinha o rei. só ele sabia que o princípe era homossexual. e dos passivos, ó suprema das indiscrições.

havia quem comentasse que, por vezes, o fantasma do palácio irrompia de uma das suas passagens e atacava as aias da rainha. tudo começava por um beijo que elas fingiam dar a contra-gosto. depois... era o fogo do além. e também consta que antes de desaparecer, dava-lhes uma palmada no rabo. mal-criado.