segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

Homem Jovem à Janela

Gustave Caillebotte

ainda em choque pelo abandono que ocorrera minutos atrás, Renè observava incrédulo a calçada parisiense que por si chamava. sabia que seria a última vez que veria a outra metade de si descer a calçada parisiense, num passo inseguro e apressado. não é fácil dizer "até sempre", disse a ninguém. o nó da garganta, o peito apertado, e uma lágrima que teimava em não cair turvavam-lhe os sentidos e o gozo de viver.

de repente tudo perdera o sentido e a lógica natural, e lutar tornara-se redundante. uma prisão em si de quem é mais fraco do que os tormentos que o demandam.

talvez por isso colocou um pé na balaustrada. a calçada parisiense chamava por si, e um misto de euforia e ansiedade provocavam-lhe tremores miudinhos. estava certo do que queria, e fá-lo-ia alegremente.

elevou o olhar para o sol, gritou da mais livre maneira (YAAAAAAAAAAAAAAAWP!!!) e ainda ofuscado pelo zénite, atirou-se. a calçada parisiense por si chamava , e em manhãs de morte lenta não se pode dizer não a uma calçada parisiense. coragem Renè, não desistas!

infelizmente era um 2º andar, e apenas conseguiu torcer um joelho e partir o nariz. fica para a próxima, Renè... todos os dias são perfeitos para um suicídio decente.